quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Meu Querido Diário

Hoje já foi ontem. Insônia, você a conhece bem meu querido diário.

Foi um dia e tanto. Duas coisas muito importantes aconteceram na minha existência, e ambas muito tristes. O fato é que às vezes precisamos soltar o que nos pertence para sabermos que realmente é nosso, pois se for, voltará. Hoje eu não soltei nada, mas me soltei.
Voltarei? Nem preciso. Não parti, apenas me soltei. Não tem como fugirmos de nós mesmos!
Vamos divagar...
 
Agir com a razão em detrimento ao sentimento quase nunca é o melhor caminho (pelo menos para mim, você sabe). Às vezes, existe a fé de que algo que não compreendemos é certo. Fé não se explica e não se cobra... Aceitar algo por fé quando a razão discorda é algo que eu nunca imaginei que pudesse fazer (pois para mim razão e fé são praticamente a mesma coisa). Pois bem diário, sente-se para não cair: Eu fiz.
 
Fiz porque descobri que fé e razão não são a mesma coisa! Eu agi por fé ao fazer alguém derramar uma lágrima, e não entendo (e talvez nunca entenda) o motivo que me levou a fazer isso, mas espero que um dia eu olhe para trás e compreenda que fiz a coisa certa. Sinceramente, apesar da fé, eu tenho dúvidas. Tenho dúvidas porque fé não é certeza, e fé não é razão, e ainda: fé não é e nunca foi antônimo de dúvida.

Fé é simplesmente fé. O antônimo de fé? Talvez seja desesperança.

A segunda coisa importante (e triste) da minha existência que aconteceu hoje tem a ver com o exercício que estou fazendo nos últimos dias de "me dar valor" e "me permitir".
 

Fiz isso agora a pouco, sendo frio e indiferente com alguém. Olhei para mim mesmo, e talvez que pela primeira vez na vida, coloquei-me verdadeiramente acima de outra pessoa. Não me senti bem com isso, mesmo sabendo que estava com a razão... mas eu não podia agir de outra forma. Se agisse, estaria me punindo por coisas que eu não fiz, e premiando as atitudes de alguém que, pelo menos hoje, não é "do bem".

Se no primeiro episódio eu coloquei a fé acima da razão, neste eu fiz o contrário do exemplo de Jesus e outros tantos mestres da história, e deixei o meu ego, meus sentimentos e minhas necessidades se sobreporem aos sentimentos de outro ser humano.

Sim, saí vitorioso pelos padrões racionais. Consegui minha filha canina de volta (de forma definitiva!). Mesmo assim, era meu desejo que o outro lado não sofresse, por mais que eu saiba que este sofrimento foi buscado racionalmente e incansavelmente pela outra pessoa.

Mais divagação...

Consigo entender o masoquismo físico e o masoquismo psicológico (o que explicaria algumas atitudes da outra pessoa), mas não entra na minha cabeça como alguém pode NÃO querer ser feliz. Buscar o limbo conhecendo a luz, e pior, estando distante dela não mais do que um passo... Ou gesto... Ou frase. Isso pra mim é quase loucura.

Sei que está com sono diário, mas preciso concluir... Às vezes, nos dedicamos tanto a uma pessoa que acabamos nos esquecemos de nós mesmos, e invariavelmente fazemos sofrer muitas outras pessoas que nos amam por conta disso. Na maioria das vezes fazemos isso sem esperar um prêmio maior que não seja a felicidade do outro, e vinculamos isso à nossa própria felicidade. Isso é errado! É errado em todos os sentidos, inclusive o matemático. Ser bom nem sempre é fazer o bem de forma direta. Por incrível que pareça, às vezes é necessário bater, atirar, cuspir, maltratar e até mesmo, matar... E dói muito fazer isso quando a vítima é o sentimento, a esperança ou o amor próprio de quem a gente ama.

O engraçado diário, é que se um dia alguém ler estas páginas, provavelmente não vai entender nada das duas "ocorrências" que falei, mas é possível que se veja em muitas das idéias que lhe escreví hoje. Talvez as coisas realmente não sejam assim tão complicadas.

4 comentários:

LyRodrigues disse...

Bem, minha cabeça parece um adulto responsável e meu coração, a criança em época de natal, num shoping. Fé e razão conflitando. Sei o que é o certo, mas tá difícil aceitar. Não dá pra se livrar do "você em mim", mas o pouco de eu que sobra é teimoso.

Bnaqsemprevaiserminha

neoqav

Maria Helena disse...

Meu querido amigo, vá até o meu blog e leia a minha postagem. Incrível como a gente se encontra sem saber nas divagações da nossa alma.
Quando li seu post, fiquei sem palavras! Caiu-me como uma luva! Você foi um enviado do universo para ser uma asa para o meu momento.
Eu escrevo o que me vai por dentro e o que eu enxergo por fora. Sou um eco de mim mesma e das coisas do mundo e das pessoas que consigo captar. Hoje o eco foi do meu íntimo! Você me parece ser esse tradutor de emoções! Te admiro muitoooooooooo!!!!! Beijão!

Guará Matos disse...

E tem muita gente por aí que vive se justificando para não ser feliz.

Abraços.

Lily Olival disse...

Este penúltimo parágrafo é tudo o que eu precisava ler pra finalizar bem o meu dia....

A cada dia, a cada leitura, a cada carinho passo a te admirar mais e mais, de uma forma que faz muito bem pro coração... (creio que de ambos)

Queridito meu!!! Te ler me arranca suspiros, me faz refletir a dor de um jeito meigo, colocando nos eixos da forma mais delicada até o mais grosseiro dos sentimentos.

Continuemos a compartilhar! Vida, afeto, palavras, carinhos...

Beijo grande, paz e bem.

Lily

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